Letras Proibidas
Escritos Variados Sobre Qualquer Coisa
Sexta-feira, Setembro 23, 2005
ANA CAMINHANDO PARA A MATURIDADE...SERÁ??????...
Um amigo blogueiro me disse certa vez que os blogs têm vida própria. Que eles próprios vão delineando seu caminho.
Penso que o Letras está querendo se redefinir.
Há tempos ando com vontade de sair contando coisas. Em geral, sobre impressões pessoais acerca de experiências vividas.
Sempre declino da idéia...
Hoje, entretanto, me deu uma vontade de partilhar o momento que estou vivendo.
Talvez seja minha fragilidade. Ou a percepção dela.
Semana passada descobri que estava dodói. Engraçado usar esta palavra - dodói - meus amigos me dizem infantil. Falam que uso palavras infantis ou adolescentes. Às vezes me pergunto porque, outras apenas gosto desse meu jeito. Talvez seja porque trabalhe com crianças e adolescentes. E do mesmo jeito que pego sotaques com facilidade, talvez também - pegue - palavras...
Voltando:
O fato é que estou dodói e saber disso, acabou por me expor, a eu própria (se é que isso existe, expor a si própria... ) e minha fragilidade.
Eu que sempre me julguei imune a qualquer coisa, de repente, percebi que faço parte do grupo dos simples mortais.
Sim, porque eu julgava que nada, jamais, poderia me afetar.
Penso que até sabia que não era bem assim, mas minha alma infantil me fazia crer nisso.
Esta estranha consciência dói... e no momento estou tentando redefinir minha vida baseada neste princípio.
Sou vulnerável.
É fato!
Mas não se preocupem... é algo absolutamente controlável e eu vou ficar ótima! No fundo talvez essa percepção seja só o do tal amadurecimento...
Dito
por Ana, ?s 4:13 PM
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Terça-feira, Setembro 06, 2005
Andei sumida um tempinho... E amigos queridos manifestaram aqui preocupação...
Quero abri então espaço para explicar o pq deste sumiço e agradecer o carinho de vcs...
Inicialmente meu filho quebrou a perna e quase ato continuo mamãe sofreu um acidente doméstico e acabou por ter de fazer uma cirurgia...Mamãe mora sozinha e precisou de cuidados especiais...Ficou na minha casa e eu passei a ter mais uma coisa para administrar nesta minha vida de mulher pretensamente independente...Uma loucura! No início minha casa parecia um hospital...Além do cansaço, a falta de tempo...
Agora, tudo começa a voltar ao normal...E o que fica?... Inicialmente o companheirismo que pude perceber e confirmar com minha filha...que se mostrou extremamente amadurecida e colaborou muito...Uma gracinha...e por fim , uma percepção que eu já tivera antes...e que expressei numa pseudo crônica que escrevi certa vez...
Não me recordo se já a postei aqui, mas agora me deu vontade de faze-lo...
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Aparadores de Livros
Sabe aqueles objetos que colocamos na estante para sustentar os livros? Acho que podemos chamar de aparadores de livros. Pois bem, minha mãe e minha filha são , para mim, aparadores de livros. Eu, sou o livro.
Elas andam me permitindo o equilíbrio. E de forma tão natural que toda vez que penso no assunto me lembro dos aparadores, que na estante, sem o menor esforço, permitem aos livros se manterem em harmonia, equilíbrio.
Quando fui mãe, fui aos poucos construindo esse amar não dimensionável, que nos leva a querer estar, cuidar, proteger. Fui assim, exercitando esse amar com minha menininha. Ela agora tem nove anos. E a chegada precoce á adolescência vem dispensar todo esse afeto que construí com o tempo, e ainda tão pouco utilizado.
Ela desabrocha, linda - porque é preciso dizer que ela é linda. E deseja as amigas, os namoros , as viagens. Assim como eu já quis um dia.
Minha mãe tem 52 anos. Sempre achei minha mãe linda - isso também é preciso ser dito. Mas começa a apresentar os primeiros sinais de envelhecimento. Não são sinais apenas físicos. Aquela mulher que sempre me pareceu tão forte, pronta a me amparar e resolver meus problemas, hoje sinto que precisa ser cuidada por mim.
E então os aparadores...
A menininha entra na adolescência no momento preciso; justo quando minha mãe começa a precisar de mais afeto, mais cuidado. Se a filha não desejasse abrir mão da mãe, eu talvez não pudesse me disponibilizar para a minha mãe.
Se a mãe não necessitasse agora tanto de mim, talvez eu não soubesse permitir os vôos da filha.
É mágico! E estou realmente feliz!
Jan/99
Publicado em " O Bairrista "
Dito
por Ana, ?s 3:24 AM
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