Letras Proibidas
Escritos Variados Sobre Qualquer Coisa
Quarta-feira, Março 31, 2004
Um post num blog amigo me inspirou...
Será que minha fonte de inspiração se reconhece?... :-)
tua mão me oferece o paraíso
inspiro
minha boca me oferece a ti
sorve.
sinto
sente
sentimos
um ao outro
no corpo
um do outro
eu não sou mais
você já não o é
transcendemos
Dito
por Ana, ?s 8:24 PM
partilharam as letras
Sábado, Março 27, 2004
Partilhando...
Encontrei este texto perdido..perdido não, guardado num cantinho...Gosto muito das idéias aqui expostas...
****** A ecologia do contato humano ******
¿ A mente vê, a linguagem vê, o corpo visita . ¿
O ser humano objetivamente conseguiu maravilhas. As ciências e as técnicas atingiram níveis de desenvolvimento inimagináveis, mas, subjetivamente, continuamos engatinhando, pouco sabendo do mundo dos sentidos. Do ponto de vista do afeto, não conseguimos chegar o suficiente perto de nós e do nosso semelhante.
Parece que quanto mais civilizados somos, mais dificuldades temos de lidar com o contato humano. Ficamos enclausurados pela palavra, já que pela mesma podemos tocar, abraçar e amar sem o menor contato possível. Nos tornamos intocáveis e estranhos uns aos outros embora o verbo possa suprir, aparentemente, como num passe de mágica, essa deficiência.
Cultuamos com muito mais vigor os sentidos da distância (visão e audição) do que aqueles de proximidade (tato, olfato e paladar).
Do ponto de vista físico, a pele é o mais extenso dos órgãos dos sentidos, já que envolve o nosso corpo inteiro. Isso torna o tato o sentido mais corporal de todos e também o mais antigo. Antes de ver, ouvir e saborear, já tocávamos e éramos tocados. No útero materno, o toque foi a primeira impressão que sentimos da realidade. A pele é nossa vestimenta originária. É a que mais bem nos protege contra as intempéries e os efeitos nocivos do meio ambiente como gases tóxicos, bactérias, frio, calor, etc. Algumas partes são mais sensíveis (ponta dos dedos, ponta da língua e nariz) que outras. Há partes que sentimos mais cócegas e arrepios prazerosos. Outras são insensíveis à dor, como os extremos dos nossos cotovelos. É muito relevante a expressão ¿ dor de cotovelo ¿
.
No contato, os dedos vagueiam na superfície da pele. Prazerosamente, o cérebro tira a inocência dela. A sensualidade aflora e acelera rápido para o grande toque. O tato é a ante ¿ sala do amor. É o instante que nosso corpo se prepara para a cerimônia maior da entrega. Esse amor, o mais desejável de todos os tons, nasce das profundezas desse sentido, cujo revestimento térmico nos envolve por inteiro. É o meio pelo qual percebemos, sentimos e amamos no mundo. O amor é essencialmente contato e aproximação, o momento mágico onde a distância entre desejar e ser desaparecem. É a vivência maior da intimidade, o consentimento e a confiança da nossa permissão.
É no âmago do contato que ocorre o fantasioso acordo dos sentimentos e os nossos olhos cerram suas pálpebras, pois agora queremos deliciosamente sentir. Sentir o cheiro morno das mãos que deslizam finalizando a estratégia do êxtase anunciado. O momento em que, pelo encontro, nos fundimos e nos tornamos um só, como nos primeiros instantes da existência. Ele é um sentido por onde mais facilmente flui todos os elementos eróticos que alimentam a atividade sexual. O sexo é, de longe, a forma mais intima do contato. Ele constitui a junção e a reunião mais desejadas pelos corpos. Engolimos a saliva e respiramos, com prazer, o hálito do parceiro.
Para sermos um, nós precisamos de dois. O beijo e as caricias prefiguram essa vontade. Mãos e bocas vorazmente preparam o caminho para o mistério desse encontro. Ele é o prelúdio do ato amoroso, que anseia por chegar, ficar e aconchegar. Por ele e através dele, tocamos, somos tocados e, por alguns instantes, trocamos de alma. Dois eus se tornam nós, a liberdade e o amor se fazem mistério, a iluminação maior do espírito.
Já o beijo prepara o caminho para conversão, complementação e união, irradiando por todos eles, um calor universal. Existem os mais diversos tipos. Os beijos respeitosos, os cerimoniosos, os impetuosos e os selvagens. Há uma intencionalidade poderosa no ato do beijo. Ele é tão significativo que o praticamos em quase tudo que nós é importante.
Maria Madalena beijou os pés de Jesus. Beijamos imagens, relíquias e bandeiras. A mão das autoridades religiosas, dos reis e assim por diante. Ele representa cerimônia, intimidade e comemoração. A intenção maior do beijo é nos tornamos mais inteiros de corpo e alma, nos transformando em cúmplices de uma experiência mais plena.
É uma realidade dura demais para o desejo saber que somos partes da natureza e que, enquanto homens, somos inseparáveis do mundo. E é assim que conseguimos conquistar a serenidade e perder o medo de sentir mais o nosso ser, os outros e a natureza que nos protege. O século XXI parece apontar para a possibilidade de realizarmos essa antiga reconciliação, apesar das nuvens pessimistas da globalização.
JB Ecológico ¿ 26 de outubro de 2002.
Dito
por Ana, ?s 10:26 AM
partilharam as letras
Domingo, Março 21, 2004
você me disse, assim como quem não quer nada.
- eu não cortei os pulsos...
eu te digo:
- melhor assim...
fico agora eu aqui...com a certeza que preciso cortar os vínculos...
alguém aí tem uma tesoura?...ou canivete...gilete...navalha...faca...
Dito
por Ana, ?s 1:07 PM
partilharam as letras
Quarta-feira, Março 17, 2004
parênteses
abrindo um parênteses para explicar, rapidamente, meu sumiço.
Eu não abandonei o blog...Inclusive sinto falta dele e do " convívio " com os que aqui encontrei...O motivo, é :
trabalho, trabalho, e trabalho...e mais um pouquinho de trabalho...Mas eu estou feliz, pq o meu trabalho é uma das coisas que amo fazer.
Teve mais uma coisinha...Domingo, dia 14, foi aniversário do meu filho, João Victor, e eu, lógico, estive totalmente envolvida com os preparativos da comemoração.Um dia , ainda faço um post sobre o João...Vocês adorariam conhecê-lo...
Agora, o que interessa mesmo, é que no próximo final de semana, eu estou de volta...Para visitar os amigos inclusive...
Beijos a todos!!!!!!!!!!!
Dito
por Ana, ?s 6:02 AM
partilharam as letras
Domingo, Março 07, 2004
Revisitando...
Aluguel ..... Nélida Piñon
Porque se uniam nas horas mais diversas do dia, entraram em acordo que o melhor mesmo que tinham a fazer era um comer o outro e alugarem um terceiro personagem que os vomitasse.
.............................................................................................
se falaram e se calaram
e aquele calar, quase infinito, não lhes provocara constrangimento
ficaram assim, olhando-se , de mãos dadas
na hora de ir, ela o beijou na testa e disse:
- te amo...
e ouviu:
- te amo também...
e foram-se, sem terem a vaga idéia da capacidade mútua de fazerem-se bem
Dito
por Ana, ?s 11:56 AM
partilharam as letras