Eis-me:

Auto-retrato
(inspirado em Adriana Calcanhotto)

Amo Clarice Lispector. Aprendi a amar Manuel Bandeira. Adoro dar aulas. Esque?o do mundo quando ensino a escrever. Um dia ainda vou ter um quadro do Ant?nio Dias. Ainda amo Che Guevara. Acredito em utopias. Tenho poucos amigos. Amo meus poucos amigos. Sou pontual. N?o gosto de gente lenta. Quero um pr?ncipe encantado. Tenho orgulho de ser m?e. Tenho orgulho da minha m?e. Minha m?e acha que eu preciso fazer regime. Odeio a AIDS. Tenho medo da morte. Adoro Pedro Nava. Um dia vou a Fran?a. J? fui existencialista. Li Simone Beauvoir. Fui uma mo?a bem comportada. N?o ligo para dinheiro. Gasto em demasia. Adoro dar presentes. Gosto de presentes simples e cheios de significados. Sou infantil. Gosto de ser tratada como crian?a. Cobran?a me cansa. Burrice e chatice tamb?m. Amo Almod?var. Amo o cinema franc?s e do leste europeu. Adoro dramas. Preciso fazer regime. N?o sou disciplinada. Preciso aprender a estar s?. Amo meus filhos. Vou pintar no Parque Lage. Sou inconstante. Sou fiel a quem amo. Amo muito, poucos. Tenho dificuldades em dizer n?o. Cozinho muito bem. N?o gosto de rotina. Adoro cores. Adoro tinta. N?o gosto de plantas. Adoro flores. ?s vezes, me acho chata. Ando ficando insens?vel. Amo coisas antigas. Amo Mondrian. Sou Fluminense desde pequenina. Detesto o Flamengo e os flamenguistas. Adoro competi??o. Sempre quis jogar v?lei bem. Tenho uma medalha de t?nis de mesa. Sou mais alta do que gostaria. J? fui muito feliz. Durmo bem menos do que gostaria. Adoro preto e marinho. Adorei Despedida em Las Vegas. Choro toda vez que vejo La?os de ternura. Adoro meus olhos. Tenho bom humor. Preciso usar ?culos. J? calcei 39, hoje cal?o 40. Gosto de vodka. Tenho medo de altura. Detesto gente pedante. Adoro surpresas. Gosto de ganhar flores.ando meio decepcionada com as pessoas. N?o me canso de quebrar a cara. Comprei uma bicicleta ergom?trica. Estou fazendo regime. Como j? disse antes, preciso de mais disciplina.



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Quarta-feira, Março 31, 2004


Um post num blog amigo me inspirou...
Será que minha fonte de inspiração se reconhece?... :-)


tua mão me oferece o paraíso
inspiro
minha boca me oferece a ti
sorve.

sinto
sente
sentimos
um ao outro
no corpo
um do outro

eu não sou mais
você já não o é

transcendemos

Dito por Ana, ?s 8:24 PM

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Sábado, Março 27, 2004


Partilhando...

Encontrei este texto perdido..perdido não, guardado num cantinho...Gosto muito das idéias aqui expostas...

****** A ecologia do contato humano ******

¿ A mente vê, a linguagem vê, o corpo visita . ¿

O ser humano objetivamente conseguiu maravilhas. As ciências e as técnicas atingiram níveis de desenvolvimento inimagináveis, mas, subjetivamente, continuamos engatinhando, pouco sabendo do mundo dos sentidos. Do ponto de vista do afeto, não conseguimos chegar o suficiente perto de nós e do nosso semelhante.

Parece que quanto mais civilizados somos, mais dificuldades temos de lidar com o contato humano. Ficamos enclausurados pela palavra, já que pela mesma podemos tocar, abraçar e amar sem o menor contato possível. Nos tornamos intocáveis e estranhos uns aos outros embora o verbo possa suprir, aparentemente, como num passe de mágica, essa deficiência.

Cultuamos com muito mais vigor os sentidos da distância (visão e audição) do que aqueles de proximidade (tato, olfato e paladar).

Do ponto de vista físico, a pele é o mais extenso dos órgãos dos sentidos, já que envolve o nosso corpo inteiro. Isso torna o tato o sentido mais corporal de todos e também o mais antigo. Antes de ver, ouvir e saborear, já tocávamos e éramos tocados. No útero materno, o toque foi a primeira impressão que sentimos da realidade. A pele é nossa vestimenta originária. É a que mais bem nos protege contra as intempéries e os efeitos nocivos do meio ambiente como gases tóxicos, bactérias, frio, calor, etc. Algumas partes são mais sensíveis (ponta dos dedos, ponta da língua e nariz) que outras. Há partes que sentimos mais cócegas e arrepios prazerosos. Outras são insensíveis à dor, como os extremos dos nossos cotovelos. É muito relevante a expressão ¿ dor de cotovelo ¿
.
No contato, os dedos vagueiam na superfície da pele. Prazerosamente, o cérebro tira a inocência dela. A sensualidade aflora e acelera rápido para o grande toque. O tato é a ante ¿ sala do amor. É o instante que nosso corpo se prepara para a cerimônia maior da entrega. Esse amor, o mais desejável de todos os tons, nasce das profundezas desse sentido, cujo revestimento térmico nos envolve por inteiro. É o meio pelo qual percebemos, sentimos e amamos no mundo. O amor é essencialmente contato e aproximação, o momento mágico onde a distância entre desejar e ser desaparecem. É a vivência maior da intimidade, o consentimento e a confiança da nossa permissão.

É no âmago do contato que ocorre o fantasioso acordo dos sentimentos e os nossos olhos cerram suas pálpebras, pois agora queremos deliciosamente sentir. Sentir o cheiro morno das mãos que deslizam finalizando a estratégia do êxtase anunciado. O momento em que, pelo encontro, nos fundimos e nos tornamos um só, como nos primeiros instantes da existência. Ele é um sentido por onde mais facilmente flui todos os elementos eróticos que alimentam a atividade sexual. O sexo é, de longe, a forma mais intima do contato. Ele constitui a junção e a reunião mais desejadas pelos corpos. Engolimos a saliva e respiramos, com prazer, o hálito do parceiro.

Para sermos um, nós precisamos de dois. O beijo e as caricias prefiguram essa vontade. Mãos e bocas vorazmente preparam o caminho para o mistério desse encontro. Ele é o prelúdio do ato amoroso, que anseia por chegar, ficar e aconchegar. Por ele e através dele, tocamos, somos tocados e, por alguns instantes, trocamos de alma. Dois eus se tornam nós, a liberdade e o amor se fazem mistério, a iluminação maior do espírito.

Já o beijo prepara o caminho para conversão, complementação e união, irradiando por todos eles, um calor universal. Existem os mais diversos tipos. Os beijos respeitosos, os cerimoniosos, os impetuosos e os selvagens. Há uma intencionalidade poderosa no ato do beijo. Ele é tão significativo que o praticamos em quase tudo que nós é importante.

Maria Madalena beijou os pés de Jesus. Beijamos imagens, relíquias e bandeiras. A mão das autoridades religiosas, dos reis e assim por diante. Ele representa cerimônia, intimidade e comemoração. A intenção maior do beijo é nos tornamos mais inteiros de corpo e alma, nos transformando em cúmplices de uma experiência mais plena.

É uma realidade dura demais para o desejo saber que somos partes da natureza e que, enquanto homens, somos inseparáveis do mundo. E é assim que conseguimos conquistar a serenidade e perder o medo de sentir mais o nosso ser, os outros e a natureza que nos protege. O século XXI parece apontar para a possibilidade de realizarmos essa antiga reconciliação, apesar das nuvens pessimistas da globalização.

JB Ecológico ¿ 26 de outubro de 2002.

Dito por Ana, ?s 10:26 AM

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Domingo, Março 21, 2004



você me disse, assim como quem não quer nada.
- eu não cortei os pulsos...
eu te digo:
- melhor assim...
fico agora eu aqui...com a certeza que preciso cortar os vínculos...

alguém aí tem uma tesoura?...ou canivete...gilete...navalha...faca...


Dito por Ana, ?s 1:07 PM

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Quarta-feira, Março 17, 2004


parênteses

abrindo um parênteses para explicar, rapidamente, meu sumiço.

Eu não abandonei o blog...Inclusive sinto falta dele e do " convívio " com os que aqui encontrei...O motivo, é :
trabalho, trabalho, e trabalho...e mais um pouquinho de trabalho...Mas eu estou feliz, pq o meu trabalho é uma das coisas que amo fazer.

Teve mais uma coisinha...Domingo, dia 14, foi aniversário do meu filho, João Victor, e eu, lógico, estive totalmente envolvida com os preparativos da comemoração.Um dia , ainda faço um post sobre o João...Vocês adorariam conhecê-lo...

Agora, o que interessa mesmo, é que no próximo final de semana, eu estou de volta...Para visitar os amigos inclusive...

Beijos a todos!!!!!!!!!!!

Dito por Ana, ?s 6:02 AM

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Domingo, Março 07, 2004


Revisitando...



Aluguel ..... Nélida Piñon

Porque se uniam nas horas mais diversas do dia, entraram em acordo que o melhor mesmo que tinham a fazer era um comer o outro e alugarem um terceiro personagem que os vomitasse.

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se falaram e se calaram
e aquele calar, quase infinito, não lhes provocara constrangimento
ficaram assim, olhando-se , de mãos dadas
na hora de ir, ela o beijou na testa e disse:
- te amo...
e ouviu:
- te amo também...
e foram-se, sem terem a vaga idéia da capacidade mútua de fazerem-se bem

Dito por Ana, ?s 11:56 AM

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