Eis-me:

Auto-retrato
(inspirado em Adriana Calcanhotto)

Amo Clarice Lispector. Aprendi a amar Manuel Bandeira. Adoro dar aulas. Esque?o do mundo quando ensino a escrever. Um dia ainda vou ter um quadro do Ant?nio Dias. Ainda amo Che Guevara. Acredito em utopias. Tenho poucos amigos. Amo meus poucos amigos. Sou pontual. N?o gosto de gente lenta. Quero um pr?ncipe encantado. Tenho orgulho de ser m?e. Tenho orgulho da minha m?e. Minha m?e acha que eu preciso fazer regime. Odeio a AIDS. Tenho medo da morte. Adoro Pedro Nava. Um dia vou a Fran?a. J? fui existencialista. Li Simone Beauvoir. Fui uma mo?a bem comportada. N?o ligo para dinheiro. Gasto em demasia. Adoro dar presentes. Gosto de presentes simples e cheios de significados. Sou infantil. Gosto de ser tratada como crian?a. Cobran?a me cansa. Burrice e chatice tamb?m. Amo Almod?var. Amo o cinema franc?s e do leste europeu. Adoro dramas. Preciso fazer regime. N?o sou disciplinada. Preciso aprender a estar s?. Amo meus filhos. Vou pintar no Parque Lage. Sou inconstante. Sou fiel a quem amo. Amo muito, poucos. Tenho dificuldades em dizer n?o. Cozinho muito bem. N?o gosto de rotina. Adoro cores. Adoro tinta. N?o gosto de plantas. Adoro flores. ?s vezes, me acho chata. Ando ficando insens?vel. Amo coisas antigas. Amo Mondrian. Sou Fluminense desde pequenina. Detesto o Flamengo e os flamenguistas. Adoro competi??o. Sempre quis jogar v?lei bem. Tenho uma medalha de t?nis de mesa. Sou mais alta do que gostaria. J? fui muito feliz. Durmo bem menos do que gostaria. Adoro preto e marinho. Adorei Despedida em Las Vegas. Choro toda vez que vejo La?os de ternura. Adoro meus olhos. Tenho bom humor. Preciso usar ?culos. J? calcei 39, hoje cal?o 40. Gosto de vodka. Tenho medo de altura. Detesto gente pedante. Adoro surpresas. Gosto de ganhar flores.ando meio decepcionada com as pessoas. N?o me canso de quebrar a cara. Comprei uma bicicleta ergom?trica. Estou fazendo regime. Como j? disse antes, preciso de mais disciplina.



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Escritos Variados Sobre Qualquer Coisa



Terça-feira, Janeiro 27, 2004



Este post é para um amiguinho...Ele é bem desse jeito...quero ver se ele se identifica...

Essa música, apesar de parecer, para muitos, tola, é linda...

Vander Lee...



Um compositor mineiro, com um trabalho lindo...Uma poesia fantástica! Quaquer dia desses, eu coloco outra musiquinha dele aqui.

Românticos

Românticos são poucos
Românticos são loucos
desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso
Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Como eu
Como eu

Dito por Ana, ?s 11:27 PM

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Sábado, Janeiro 24, 2004





tempo de renascer
resplandecer
voar
vôo rasante
certeiro
sobre um campo de girassóis
eu amo girassóis!!!


*********************************************************************************


Das minhas resoluções para 2004, uma que estou conseguindo cumprir e que tem me dado muito prazer é sair para passear com a mãe, é estar com ela...

Tenho direcionado meus focos de prazer...É preciso!

Este fato me faz lembrar uma ¿ crônica ¿ que escrevi para o jornal da Maninha. Sim! A Maninha tinha um jornal, e é somente por este fato, dela ser a Maninha, que eu escrevia nele. Era uma espécie de cronista....rs.

Vamos a ¿ crônica ¿


Aparadores de Livros

Sabe aqueles objetos que colocamos na estante para sustentar os livros? Acho que podemos chamar de aparadores de livros. Pois bem, minha mãe e minha filha são , para mim, aparadores de livros. Eu, sou o livro.

Elas andam me permitindo o equilíbrio. E de forma tão natural que toda vez que penso no assunto me lembro dos aparadores, que na estante, sem o menor esforço, permitem aos livros se manterem em harmonia, equilíbrio.

Quando fui mãe, fui aos poucos construindo esse amar não dimensionável , que nos leva a querer estar, cuidar, proteger. Fui assim, exercitando esse amar com minha menininha. Ela agora tem nove anos. E a chegada precoce á adolescência vem dispensar todo esse afeto que construí com o tempo, e ainda tão pouco utilizado.

Ela desabrocha, linda ¿ porque é preciso dizer que ela é linda. E deseja as amigas, os namoros , as viagens. Assim como eu já quis um dia.

Minha mãe tem 52 anos. Sempre achei minha mãe linda ¿ isso também é preciso ser dito. Mas começa a apresentar os primeiros sinais de envelhecimento. Não são sinais apenas físicos. Aquela mulher que sempre me pareceu tão forte, pronta a me amparar e resolver meus problemas, hoje sinto que precisa ser cuidada por mim.

E então os aparadores...

A menininha entra na adolescência no momento preciso; justo quando minha mãe começa a precisar de mais afeto, mais cuidado. Se a filha não desejasse abrir mão da mãe, eu talvez não pudesse me disponibilizar para a minha mãe.

Se a mãe não necessitasse agora tanto de mim, talvez eu não soubesse permitir os vôos da filha.

É mágico! E estou realmente feliz!


Jan/99

Dito por Ana, ?s 10:22 PM

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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004


ainda é tempo de ficar quieta
no canto
sem encanto
ainda é tempo de ficar sumida
da vida
da tua vida
qualquer dia desses
eu volto
nova
renascida

Dito por Ana, ?s 8:13 PM

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Domingo, Janeiro 18, 2004





no elevador do filho de deus - elisa lucinda

a gente tem que morrer tantas vezes durante uma vida
que eu já to ficando craque em ressurreição.
bobeou eu to morrendo
na minha extrema pulsão
na minha extrema-unção
na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
há dores que eu não resolvo
há nós que não dissolvo
então sinceramente sucumbo
e me torno moribundo do doer daquele corte
do haver sangrento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
vem dentro de alegrias havidas
vem dentro de perdas de coisas antes possuídas
vem dentro dos amores
há porradas que não tem saída
há um monte de ¿não era isso que eu queria¿
outro dia, acabei de morrer na angústia da sala
depois de uma crise sobre o tema existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
e quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de lázara
poeta ressuscitada
passaporte sem mala
com destino de nada!
a gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
aquele monte real do gastamento do corpo
aquela coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames e amigos chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que eu já to ficando especialista em renascimento
hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
ou porque eu mesmo me enrolo
não da outra: tiro o chinelo
fico ai camisolenta em estado de éter
não atendo telefone não atendo campainha
tô nocauteada, tô morrida!
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida
essa morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquele afobamento de coxia,
aquela ansiedade para entrar em cena
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois um produto com maior resistência
onde a gente se encolhe pra nascer de novo
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha merecida
pergunta ao teu eu: ¿ onde cê tava?
tava sumida, morreu? ¿
e a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de ex persona falida:
-não, tava só deprimida

**********************************************************

( ................ )

Dito por Ana, ?s 6:05 PM

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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

Ouvindo Cássia Eller...



_ luz dos olhos _ de Nando Reis

ponho os meus olhos em você, se você está
dona dos meus olhos é você, avião no ar
dia pra esses olhos sem te ver, é como o chão do mar
liga o rádio a pilha , a tv
só pra você escutar
a nova música que eu fiz agora
lá fora a rua vazia chora

os meus olhos vidram ao te ver
são dois fãs, um par
pus nos olhos vidros pra poder melhor te enxergar
luz dos olhos para anoitecer, é só você se afastar
pinta os lábios para escrever, a tua boca em mim
que a nossa música eu fiz agora
lá fora a lua irradia a glória

e eu te chamo
eu te peço , vem
diga que você me quer
por que eu te quero também

faço as pazes lembrando
passo as tardes tentando lhe telefonar
cartazes te procurando, aeronaves seguem pousando
sem você desembarcar
pra eu te dar a mão nessa hora
levar as malas pro fusca lá fora

e eu vou guiando
eu te espero , vem
siga aonde vão meus pés
porque eu te sigo também
eu te amo, eu te peço, vem
diga que você me quer
por que eu te quero também

*********************************

e ela já não mais sabia onde ir
implorou sua mão
desejou seu rumo
suas linhas claras e precisas
onde ele era somente entrelinhas
...e ela não mais sabia como ler...


Dito por Ana, ?s 12:32 AM

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Terça-feira, Janeiro 13, 2004




Um textinho muito lindo que vi num blog me fez lembrar este poema de Bandeira , e de uma pessoa para sempre especial...

A MÁRIO DE ANDRADE AUSENTE

Anunciaram que você morreu.
Meus olhos , meus ouvidos testemunham:
A alma profunda , não.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Sei bem que ela virá
( Pela força persuasiva do tempo ).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra,
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue,
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que é em você
Profundamente.

Mas agora não sinto a sua falta

( É sempre assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu. )

Você não morreu: ausentou-se.
Direi: Faz tempo que ele não escreve.
Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.
Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.
Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?
A vida é uma só. A sua continua.
Na vida que você viveu.
Por isso não sinto sua falta agora.

****************************************************************

Dormindo acordada

Eu sonho com você, mas é sempre acordada.
Estou , hoje, no meio de uma daquelas minhas depressões cíclicas. Foi você, aliás, quem cunhou esta expressão: ¿depressão cíclica¿ , para denominar esses meus momentos. Momentos dos quais você ria, mas ao me deitar em seu colo e sorrir me fazia sentir irremediavelmente leve.
E vem aquela vontade de pegar o telefone, ficar pelo menos duas horas conversando e no final ouvir você dizer : - Vem pra cá... Eu saindo correndo, me enfiando no táxi...Nós sentados no tapete da sala, cigarros e mais cigarros...Você e sua cerveja, eu e minha vodka...Você até comprou aquela bolinhas que congelam, para que nada pudesse alterar o sabor da minha vodka. Luis Melodia tocando...cantando...nos encantando...Já de madrugada, eu ia tomar banho, naquela que foi a ducha mais gostosa que conheci. E quando saía, já encontrava a cama prontinha. E ficava ali, sentada, secando os cabelos, enquanto esperava você para me fazer cafuné e me adormecer...
Estou agora acordada e sonhando com você . E vou continuar sonhando, sonhando com bastante força, para ver se adormeço e finalmente penso em você.

Dito por Ana, ?s 11:55 PM

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Segunda-feira, Janeiro 12, 2004


Não pensem que parei com Galeano... Mas hoje ganhei um livro de outra grande paixão... E resolvi colocar pedacinhos dele aqui...









Quem leu meu perfil, já sabia que amo Mondrian...

Dito por Ana, ?s 8:46 PM

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Domingo, Janeiro 11, 2004



*** Peço licença para mais um pouquinho de Galeano... É que realmente ele me encanta. E encantamentos precisam ser partilhados. ***

"Sonhos

Os corpos, abraçados, vão mudando de posição enquanto dormimos, virando para cá, para lá, sua cabeça em meu peito, minha perna sobre seu ventre, e ao girarem os corpos vai girando a cama e giram o quarto e o mundo. " Não, não. ", você me explica, achando que está acordada: " Não estamos mais aí. Mudamos para outro país enquanto dormíamos. " "

E quantas vezes não tivemos nós a vontade de mudar para outro país...Acho que poucas...na verdade. Fico sim, ainda com a capacidade de me indignar e buscar, no cotidiano, um lugar melhor para se viver.

*** Mais um pouquinho de encantamento... ***

" Os Filhos

Há onze anos , em Montevidéu, eu estava esperando Florência na porta de casa. Ela era muito pequena : caminhava como um ursinho. Eu a encontrava pouco. Ficava no jornal até qualquer hora e pelas manhãs eu trabalhava na Universidade. Pouco sabia da vida dela. Beijava-a adormecida ; às vezes levava chocolate ou brinquedos para ela.
A mãe não estava , aquela tarde, e eu esperava na porta o ônibus que trazia Florência do jardim de infância.
Chegou muito triste. No elevador fez beicinho. Depois deixou que o leite esfriasse na xícara. Olhava o chão.
Sentei-a em meus joelhos e pedi que me contasse. Ela negou com a cabeça. Acariciei-a , beijei sua testa. Deixou escapar uma lágrima. Com o lenço sequei sua cara e assoei seu nariz. Então pedi outra vez:
_ Vamos, conta.
Contou-me que sua melhor amiga tinha dito: " Eu não gosto mais de você".
Choramos juntos, não sei quanto tempo, abraçados os dois, ali na cadeira.
Eu sentia as mágoas que Florência ia sofrer pelos anos afora e quisera que Deus existisse e não fosse surdo, para poder rogar que me desse toda a dor que tinha reservado para ela. ¿

E quantas vezes, nos que já somos pais tivemos com Deus essa conversinha particular. Originaria deste amor incondicional que só os filhos nos apresentam. Ah!...Meu filhos! Tudo de melhor que a vida poderia ter me dado. Cada dia que passa eles se fazem pessoas mais extraordinárias. Pessoas belas de fato.

*** E por falar em Galeano, eu acabei de descobrir que em março ele estará nas Rodas de Leitura do CCBB. ***

As Rodas Internacionais

Em 2004, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio, completa 15 anos e as Rodas de Leitura, 12. O programa idealizado por Suzana Vargas só fez crescer ao longo dos anos e hoje é o mais antigo do CCBB. Sempre buscando inovar, Suzana apresenta este ano as Rodas Internacionais, que acontecerão a cada três meses e irão estrear em março, com o uruguaio Eduardo Galeano, autor de ¿As veias abertas da América Latina¿ e muitos outros livros, de ficção e não-ficção. Os convidados de cada uma das quatro Rodas Internacionais do ano abordarão o tema em destaque no trimestre. (Prosa e Verso de 10/01/04 )


*** EU VOU!!!!!!!! LÓGICO!!!!!!!!! Nem que tenha que ficar na fila desde as primeiras horas da manhã. ***

Dito por Ana, ?s 5:53 PM

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Quinta-feira, Janeiro 08, 2004


Estou lendo um livrinho...Dias e Noites de Amor e de Guerra do Eduardo Galeano. Aquele...autor de Veias Abertas na América Látina. Leitura obrigatória no 2º grau para quem está na faixa 30/40...rs.
Neste livro , ele faz pequenos relatos sobre os " anos de chumbo " da América Latina.
Galeano escreve com poesia. Fatos do cotidiano, a princípio banais, ganham através de suas letras vida própria...Uma vida cheia de poesia e emoção...
É tudo tão belo, que desejei partilhar... Vou fazê-lo aqui. A medida em que for lendo.

" O Universo visto pelo buraco da fechadura
Na sala de aula, Elsa e Ale sentavam juntas. Nos recreios caminhavam de mãos dadas pelo pátio. Dividiam os deveres, os segredos e as travessuras. Um dia, de manhã, Elsa disse que tinha falado com a avó morta. Desde então a avó começou a mandar mensagens para as duas. Cada vez que Elsa afundava a cabeça na água escutava a voz da avó. Um dia Elsa anunciou:
_ Vovó diz que vamos voar.
Tentaram no pátio da escola e na rua. Corriam em círculos e em linha reta até caírem exaustas. Se arrebentaram umas quantas vezes saltando de muros . Elsa afundou a cabeça e a avó disse:
_No verão vocês voam.
Chegaram as férias . As famílias viajaram para praias diferentes. No fim de fevereiro Elsa voltava com seus pais a Buenos Aires. Pediu que parassem o carro na frente de uma casa que nunca tinham visto. Ale abriu a porta.
_Voou? perguntou Elsa.
_ Não. disse Ale.
_ Nem eu. disse Elsa.
Se abraçaram chorando."

Dito por Ana, ?s 11:45 PM

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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004



O meu 2004 só começou na segunda, e eu acreditava que teria tempo de escrever sobre o Ano Novo na própria segunda, desta forma, eu nem me sentiria muito atrasada. Não muito... Mas não é que somente hoje, forçando uma barra , diga-se de passagem, é que consegui sentar para escrever. Aliás, vou me lembrar disso quando tocar no tema ¿ resoluções para 2004¿.
Eu queria fazer uma lista bem grande com resoluções para o Ano Novo. Afinal, todos tomam resoluções para o ano que se inicia , e uma coisa que finalmente aprendi em 2003, e consegui colocar em prática , ( isso , da prática é o principal! ) é parar de remar contra a maré. E como isso é bom! Chamam isso de maturidade. Eu chamo de inteligência ( retardada, no meu caso ). Demorei a perceber que discutir demais, cansa. Principalmente com gente tola. E se elas são tolas, me responda: Pq perder seu tempo com elas?

Ei...vamos voltar as minhas resoluções para 2004.

1 ¿ Não perder a data da inscrição no mestrado. Isto é um considerável sinal de maturidade.

2 - Terminar de pagar o apartamento. Isso é um desejo.

3 ¿ Guardar 80% da devolução do IR . Isto é um sinal de auto-controle.

4 ¿ Fazer o mesmo com o adiantamento do 13º salário.

5 ¿ Riscar definitivamente da minha vida qualquer tipo de açúcar.

6 ¿ Voltar a nadar, junto com o João, todos os dias.

7 - Ser menos compulsiva nas comprinhas.

8 ¿ Voltar a crer no PT, ou descolar algo para crer rapidinho. Antes das eleições municipais. Eu não posso , não quero e não vou votar no Bittar!!!!!!!

9 - Gastar mais dinheiro com meus livros e meus cds, mas... sem culpa!

10 ¿ Sair para passear com a minha mãe pelo menos uma vez por semana. Ela fica tão feliz! E eu tb...

11 ¿ Fazer programa de ¿ mulherzinha¿ com a Gathinha. O que?... Passar três horas fazendo cabelo, pedicure, manicure... Shopping e vitrines¿ Ela adora¿e ser mãe, é participar!

No mais, tudo continuar lindo e bom do jeito que já é!!!!!!!!!


Dito por Ana, ?s 10:55 PM

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Domingo, Janeiro 04, 2004


Me sentei aqui, de frente ao pc, com o firme propósito de escrever um texto sobre o Ano Novo. Só que antes, tive que me deter nos comentários feitos no blog. E que alegria esse ato me proporcionou! E quase que passa despercebido...Sim, pq eu me refiro especificamente ao comentário feito no post sobre Clarice Lispector. O último...de uma tal de Maninha...Que me fez marejar...e depois deixar fluir lagrimas de puro encantamento...

Nota: Claro que neste momento você já parou de me ler, e foi correndo ver o tal comentário.

E quem é Maninha?...

Ah Minha Irmã!...Minha querida irmã... Isto aqui vai ficar demais piegas, além da conta. Vai sim, mas que importa?... Eu quero agora declarar para o mundo a alegria que vc me proporcionou. Sim, pq elogios, eu, sem falsa modéstia, até que recebo, mas elogio vindo de vc...É demais!!!!!!!

Minha irmã é mais nova que eu. Quatro anos. Eu já nem me lembro quando eu passei a admirá-la...Não lembro mesmo. Na infância, a brigas eram muitas e a diferença de idade, penosa. Na adolescência, eu a considerava criança. No início da fase adulta, logo que me casei, eu a considerava adolescente demais. Quando por fim considerei sua idade satisfatória, penso que ela me considerava velha demais. Não sei...Só sei que num determinado momento a gente se encontrou e foi então que percebi que a admirava.

Nós costumamos comentar que nossos pais, nem que tivessem planejado, teriam conseguido criar duas pessoas com tantas afinidades. Falo de afinidades ideológicas, culturais, musicais, literárias, filosóficas...enfim...tantas...

Eu costumo dizer que ela é ¿ minha guru ¿ . Sempre eu pedindo opiniões, orientações... Eu gostaria de ter mais tempo com ela. Tem momentos eu que eu morro de ciúmes das amigas dela, em que eu queria ser mais confidente, da forma como ela é comigo. Acho que aí reside nossa grande diferença. Minha irmã é uma pessoa reservada. Eu não. Já se vê por este blog. Ela diz que eu sou a alegria de qualquer psicanalista. Pela facilidade que tenho de falar de mim.

Ela é tão talentosa! Escreve...Ah!...Como escreve bem. Inteligentíssima! Penso que um dia seu talento e competência serão reconhecidos por todos. Já estão sendo. O caminho por ela escolhido, penso que foi difícil, mas está sendo trilhado de uma bela forma.

Quero muito o sucesso dela. Ela merece!!!!

Tenho um único problema com ela. Ela ainda não me deu sobrinhos. E eu quero muito ter sobrinhos.Eu já fiz isto por ela. E sabe?...Uma das coisas que eu quero para os meus filhos é que eles possam ter a felicidade de ter alguém como a minha irmã para chamar de irmã, ou irmão. Se bem, que eu acho que eu tb estou no caminho certo para isso...

O texto sobre o Ano Novo, fica para amanhã...

Dito por Ana, ?s 8:00 PM

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Quinta-feira, Janeiro 01, 2004



Eu quero mesmo escrever um textinho sobre Ano Novo...mas, hoje, não me sinto em condições...Porém, para não perder o hábito vou deixar aqui um textinho que achei num blog amigo, e com a devida autorização para copiar, pesar de ser um texto de domínio público, penso que é sempre bom pedir autorização a quem primeiro publicou, eu vou postar.

Depoimento Emocionado de Luiz Fernando Veríssimo Sobre Sua Experiência com as Drogas...

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois quando você quiser é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei legal, uma coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um Cd do Zezé de Camargo e Luciano. Era o principio de tudo!
Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um Cd de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores: É o Tchan, Companhia do Pagode, Asa de Águia e muito mais. Após o uso continuo eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes, então, meu amigo me deu o que eu queria, um Cd do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Eu pensava só nesta parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais...
Comecei a freqüentar o submundo e correr atras das paradas. Foi a partir dai que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo.
Não deu outra: entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma musica que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorriamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea "As melhores do Molejão". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso critico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigrões, motinhas e tapinhas. Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido.
Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras... Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa. Hoje estou internado em uma clinica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento esta sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozarth e Bach.
Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante; vai perder as referencias e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
* Não ligue a TV no domingo a tarde;
* Não escute nada que venha de Goiânia ou do interior de São Paulo;
* Não entre em carros com adesivos "Fui....."
* Se te oferecerem um Cd procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Sabadão do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente é outro indicio;
* Não compre um Cd que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
* Não compre nenhum Cd em que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre nenhum Cd que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil, e
* Não escute nada que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
Mas principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não as drogas!!

Luiz Fernando Veríssimo

PS: Cuidado com as drogas ultra-pesadas, do tipo: Eguinha Pocotó, Melö do Serginho, entre tantas outras.
posted by Carolzinha Teles 4:45 PM



Dito por Ana, ?s 11:36 PM

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